O início de uma jornada…
Bom, eu sou a Sol, e sempre fui o fruto podre da família, das três irmãs, eu sempre fui a mais pra frente, em tudo. Sempre gostei de falar com todo mundo, era e ainda sou muito bagunceira, gostava de sair, me divertir, ri, dançar, o que soa bem diferente das minhas irmãs, uma só estuda e outra só fica na dela, ou seja, vivíamos em pé de guerra. Cresci naquela clichê família tradicional brasileira, sabe como é né, não pode beber, sair, beijar, tem que ir todos os domingos na missa, e perto das outras pessoas era a família mais feliz do mundo, sendo que dentro de casa não trocávamos muitas palavras.
Sempre me senti diferente de todo mundo, parece um pouco de drama, mas cresci com esse pensamento (sou dramática também, não posso negar). Não era diferente apenas dentro de casa, mas na escola também, e sinceramente não sei por qual dos dois começar a falar. Estudei e minhas irmãs também, desde o maternal até a oitava série/ nono ano na mesma escola, católica, particular, mas possuíamos bolsa e minha turma sempre teve as mesmas pessoas. Quando fui para o fundamental I, o que não vou ficar fazendo conta de quantos anos eu tinha, eu fazia parte do grupo das mais populares, posso imaginar um grupo de meninas entrando naqueles corredores e todo mundo olhando, típico de filme.
Mas não era muito isso, como todo grupo de amigas sempre tem a líder e comigo não ia ser diferente, vou chama-la de Flávia. Flávia roubava toda a atenção da sala, todos os meninos queriam ficar com ela, todas as meninas queriam fazer parte do nosso grupinho, e se ela brigasse com alguém, todas nós também ficávamos com raiva, e por incrível que pareça, ela sempre brigava comigo. Ela era tão superior a mim, eu queria ser como ela. Lembro que ela torcia pro mesmo time que eu, e uma noite que teve jogo desse time eu acabei assistindo, e foi roubado, gente, aquele jogo foi muito roubado. Então no dia seguinte fomos conversar e eu disse:
– a esse jogo foi roubado, o cara da televisão falou…
– para de me imitar, só porque eu vejo jogo, você começou a ver agora, você nem ligava. – disse Flávia – não quero mais falar com você.
Ô gente, o que eu fiz de errado, eu só ia repetir o que o cara da televisão falou, mas como eu não podia perder meu grupinho de amiga, eu mandei um bilhete pedindo desculpas e falando que não ia fazer mais isso, e ela me respondeu fazendo um coração com a mão e aquela cara de deboche. Lembro-me desse dia como se fosse hoje e isso durou longos anos.
— Sol