Sol – parte 3

Não pode ser a Bela…

Na escola meu pai sempre foi muito amigo da maioria dos professores, das diretoras enfim, de quase toda a escola. Por isso sempre fui próxima aos meus professores. Quando eu fui formar a quarta série (não lembro muito bem se era quarta ou quinta série), ia ocorrer uma formatura e o tema seria um teatro (musical) da Bela e a Fera, e advinha quem foi escolhida pra ser a Bela¿ isso mesmo, euzinha, na mesma hora todas as meninas do meu grupinho viraram a cara pra mim, falando que eu estava me achando e que não era justo eu ser a Bela. Na mesma hora fui atrás da minha professora e pedi para outra pessoa ser a Bela, que não podia ser eu, porém ela não deixou.

Foi nessa mesma época que eu está muito afim de um menino da minha sala que sempre estudou comigo, vou chama-lo de Matheus, naquela época eu achava que perder o bv era apenas dar um selinho (tô morrendo de ri da minha cara nesse momento), gente ele iludiu meu coração, eu só lembro de ter dado um selinho nele e ter saído correndo (gargalhando aqui) e depois eu ainda peguei sapinho, acredita ¿ Mas ai as meninas do meu grupinho tudo acharam que eu não era mais bv e ficavam me pedindo dicas de como beijar. Iludidas coitadas.

Lua – parte 2

Ser diferente não significa ser algo ruim, só não é mais do mesmo.

Enquanto minha vida escolar ia caminhando da melhor maneira que dava, minha vida pessoal seguia ladeira a baixo (desculpa o drama). Crescer numa família tradicional tem lá seus dramas. A verdade é que sempre me colocaram no molde do “menino bonzinho e inteligente” e sei que pode parecer ser a melhor coisa do mundo mas sustentar isso a vida toda é um fardo pesado demais. Mas acredito que o mundo adora moldar as pessoas. O tempo todo.

Minha transição da infância para adolescência não foi nada fácil. Quando cheguei no ensino fundamental 2 senti o peso das responsabilidades crescendo e embora seja até certo ponto natural eu sentia que a cada momento eu teria que me fortalecer sozinho. O bullying foi um fator determinante para que eu me sentisse inseguro sobre tudo e depois de um certo tempo percebi que realmente eu estava sozinho.

No 6° ano eu fiz amizade com uma menina e fortaleci amizade com outra. Viramos o trio inseparável e foi assim até o 9°ano (mesmo eu tendo amizade com outras pessoas). Na época eu adorava isso, era tudo que eu pensava que precisava. Estava errado pois uma dessas minhas amigas era extremamente manipuladora e contribuía para que eu me sentisse incapaz e frágil o tempo inteiro. Hoje chamaríamos de amizade tóxica. Não quero me fazer de vítima, só quero contar minhas experiências.

Há vários tipos de adolescentes, os populares e os não populares e adivinha em qual grupo em me encaixava melhor? Aposto que acertou. Literalmente é igual esses filmes teen americanos e com todos esses estereótipos. Naquele tempo eu sonhava em ser popular, ter influência em certas coisas e me encaixar nos “melhores grupinhos da escola” porém, eu só era a “Lua a Estranha”(risos). Eu não entendia que não precisava me moldar para ser aceito. Sempre senti que era querido só em determinadas situações e foi assim a minha vida inteira e confesso que ainda me sinto assim.

Pode parecer bobeira mas alguma pessoas e acontecimentos podem ter efeitos ruins em sua vida se você permitir e mesmo não sendo fácil as vezes entender o quão mal isso pode nos fazer é necessário avaliar se vale a pena deixar tudo isso te afetar.

Contudo, mesmo com a minha popularidade em baixa eu me destacava em outras coisas e isso me mantinha forte para seguir. E eu seguia e ainda sigo porque não importa o que aconteça temos que avançar.

As vezes a gente precisa saber jogar…

-Lua

Sol – parte 2

Família ê, família ah, família..

Em casa a situação também não ia lá essas coisas, tinha a impressão que meu pai me odiava e minhas irmãs não ligavam pra mim, eu não disse antes, mas sou a caçula, minha irmã mais velha Josiane e a do meio Renata, meu pai tinha um mercadinho de herança que o pai dele deixou, não dava muito dinheiro, mas era o que tinha, e minha mãe tinha uma pequena lanchonete que era muito precária. Só de me lembrar dessa época meus olhos enchem de água tenho a imagem da minha mãe com uma sacolinha contando as moedinhas que tinha rendido no dia, ela que comprava pão, carne, fazia de tudo pela gente, o meu pai achava que só pagar conta de luz e água resolvia e deixava minha mãe pegar o básico no mercado, não podia ser muita coisa. Com o passar dos anos, meu tio reformou a lanchonete e minha mãe passou a trabalhar melhor e a ganhar um pouco mais.

Meu pai foi sempre o ignorante da família, mas na frente dos outros era como se amasse a gente como ninguém, a primeira vez que eu realmente vi como ele era, foi quando eu era bem pequena, mas esse episódio me marcou muito. Toda quinta feira eu e minha mãe íamos a um grupo de oração, certa vez eu fiz pirraça, coisa de criança, pois minha mãe estava mandando eu ir lavar o pé, nisso meu pai escutou me pegou pelo braço me levou até o banheiro pra tomar banho, eu só escutava os gritos dele pra cima da minha mãe, eu não lembro o que ele falou, mas lembro dela deitada no sofá chorando e chorando, e era tudo culpa minha. Foi nesse dia, que eu passei a me sentir a pior filha.

Eu cresci assim, no meio de uma família onde o amor não tinha muito significado, em uma escola que você deveria ser o melhor sempre, e sempre com as pessoas me substituindo na maior facilidade do mundo, não sei se vivo isso até hoje mas sempre foi assim, se esta só eu mais alguma amiga ou alguma das minhas irmãs, eu sou a “principal”, basta chegar outra pessoa o comportamento muda completamente e eu passo a ser segunda opção. Falarei disso mais adiante.

Lua – parte 1

Acredito que todo mundo deveria escrever sobre sua infância.

Olá para você que está lendo, sou a Lua (tenho até uma tatuagem) e lá vai a minha história…

Assim como uma grande parte das pessoas posso dizer que tive uma infância atípica. Se eu fosse retratá-la em um filme eu seria aquele garotinho que fica sempre no canto e que sofre bullying. Sei que é triste dizer isso mais é verdade e gostaria que nenhuma criança tivesse que passar por isso. Se alguém que estiver lendo já sofreu ou sofre com o bullying saiba que você é incrível e não importa o que dizem. Obs: Procure ajuda!!!!

Sempre estudei em escola pública e na mesma escola até o 9° ano. Lembro até hoje como foi meu primeiro dia e confesso que não foi dos melhores. Minha turma foi a mesma desde a pré-escola até o ensino fundamental 1 (algumas mudanças como entrar e sair pessoas, mas em sua grande maioria foram as mesmas). Sobretudo, no ensino fundamental 2 tiveram-se muitas modificações como a alteração no horário escolar e o método de ensino de professores. Não época todo mundo era doido pra chegar no 6° ano para finalmente ter um professor para cada matéria, usar caderno de 10 matérias e escrever com caneta (isso foi motivo de comemoração de muitos). Bons tempos.

Nunca tive grandes problemas com notas e mau comportamento na escola, pelo contrário minha mãe uma vez foi chamada na escola por uma professora para dizer que eu era um excelente aluno (não estou me achando), mas é verdade. Enquanto essa parte da minha vida escolar ia bem, outras nem tanto.  Ao mesmo tempo em que eu tirava notas boas eu estava sendo “cercado” nos corredores ouvindo coisas horríveis sobre minha aparência e o meus comportamentos serem diferentes dos demais meninos do colégio. Jamais contei isso para alguém (nem minha mãe sabe sobre isso até hoje). Mas hoje sei o quanto isso me afetou e ainda me afeta.

Aconteceram muitas coisas marcantes negativamente na minha infância como o alcoolismo do meu pai, eu ter sofrido bullying, ter amizades tóxicas, ter que assumir responsabilidades desde muito cedo como cuidar da minha irmã, ajudar meus pais em certas atividades e os afazeres domésticos de casa. Sobre minha família: tenho dois irmãos, um mais velho e uma mais nova e meus pais. Posso dizer que é uma família tradicional? Talvez. Com uma exceção: a minha porque sou a fruta podre (desculpa o drama). Por outro lado também tiveram as coisas boas que me acontecera que foram preciosas.

A verdade é que sempre me senti diferente (todos somos diferentes uns dos outros mas eu sinto que não me encaixo em lugar algum) e isso tem cada vez mais ficado em evidência. De todo modo, uma coisa que tenho aprendido nesses últimos anos é que todos nós somos nosso próprio universo e devemos celebrar a nós mesmo.

Continua…

– Lua

Sol – parte 1

O início de uma jornada…

Bom, eu sou a Sol, e sempre fui o fruto podre da família, das três irmãs, eu sempre fui a mais pra frente, em tudo. Sempre gostei de falar com todo mundo, era e ainda sou muito bagunceira, gostava de sair, me divertir, ri, dançar, o que soa bem diferente das minhas irmãs, uma só estuda e outra só fica na dela, ou seja, vivíamos em pé de guerra. Cresci naquela clichê família tradicional brasileira, sabe como é né, não pode beber, sair, beijar, tem que ir todos os domingos na missa, e perto das outras pessoas era a família mais feliz do mundo, sendo que dentro de casa não trocávamos muitas palavras.

Sempre me senti diferente de todo mundo, parece um pouco de drama, mas cresci com esse pensamento (sou dramática também, não posso negar). Não era diferente apenas dentro de casa, mas na escola também, e sinceramente não sei por qual dos dois começar a falar. Estudei e minhas irmãs também, desde o maternal até a oitava série/ nono ano na mesma escola, católica, particular, mas possuíamos bolsa e minha turma sempre teve as mesmas pessoas. Quando fui para o fundamental I, o que não vou ficar fazendo conta de quantos anos eu tinha, eu fazia parte do grupo das mais populares, posso imaginar um grupo de meninas entrando naqueles corredores e todo mundo olhando, típico de filme.

Mas não era muito isso, como todo grupo de amigas sempre tem a líder e comigo não ia ser diferente, vou chama-la de Flávia. Flávia roubava toda a atenção da sala, todos os meninos queriam ficar com ela, todas as meninas queriam fazer parte do nosso grupinho, e se ela brigasse com alguém, todas nós também ficávamos com raiva, e por incrível que pareça, ela sempre brigava comigo. Ela era tão superior a mim, eu queria ser como ela. Lembro que ela torcia pro mesmo time que eu, e uma noite que teve jogo desse time eu acabei assistindo, e foi roubado, gente, aquele jogo foi muito roubado. Então no dia seguinte fomos conversar e eu disse:

– a esse jogo foi roubado, o cara da televisão falou…

– para de me imitar, só porque eu vejo jogo, você começou a ver agora, você nem ligava. – disse Flávia – não quero mais falar com você.

  Ô gente, o que eu fiz de errado, eu só ia repetir o que o cara da televisão falou, mas como eu não podia perder meu grupinho de amiga, eu mandei um bilhete pedindo desculpas e falando que não ia fazer mais isso, e ela me respondeu fazendo um coração com a mão e aquela cara de deboche. Lembro-me desse dia como se fosse hoje e isso durou longos anos.

— Sol

Quem somos?

our family is growing.

Somos dois grandes amigos, muitos anos atrás a vida nos uniu, a principio achamos que iríamos seguir um caminho, mas depois de muitos altos e baixos e de seguirmos trilhas opostas, o destino nos uniu novamente, uma coisa meio doida estilo versos inversos, e agora somos dois melhores amigos inseparáveis, e temos muitas coisas em comum, entre elas uma história complicada, com famílias difíceis e amizades conturbadas e não sabemos, não conseguimos falar sobre ela. São marcas que regem nossa vida até hoje, mas como lidar com isso? Dizem que falar sobre nossos sentimentos do passado ajuda a superar nossos monstros internos que regem e influenciam toda a nossa vida. Bom, nunca conseguimos falar sobre as coisas que já vivemos, porém, nós nunca tentamos escrever. Somos tipo Sol e Lua. Sol, uma menina que ama aparecer para todos, que tenta fazer o bem e procura sempre proporcionar alegria, mas parece que com certo tempo de exposição, essa garota parece incomodar, assim como o calor do sol e é facilmente trocada por uma sombra bem fresquinha. A Lua é aquele cara cheio de mistério, que não se abre com muita gente, mas quando aparece ilumina qualquer pessoa e lugar por onde passa, sabe como e o que falar sempre a postos para ajudar, assim como a lua ilumina uma grande escuridão, porém, não são muitos que conseguem ver essa luz tão linda e brilhante. Vamos sempre estar compartilhando fragmentos do que já vivemos para contar a nossa história.

— Sol&Lua